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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Visão do Mundo: Europeus e o Etnocentrismo - Yngrid Mariane Ataíde

   
      Matéria por Yngrid Mariane Ataíde
Edição Final por Débora Dulcésil
         Para podermos conviver em um mundo repleto de diferenças culturais, é importante compreender que a diversidade é natural, que nossa cultura não representa o “jeito certo” de se viver. Tampouco ela é a “melhor” cultura ou a mais desenvolvida, ainda que assim nos pareça, pois estamos acostumados a viver, segundo nossas crenças, nossos hábitos e conhecimentos. Estamos mais próximos de reconhecer as culturas como diversas, mas não enquanto superiores umas às outras, quando nos situamos como um grupo social e étnico dentro de um mundo de grande diversidade, e quando aceitamos que nosso modo de viver e de compreender as sociedades humanas é apenas um entre muitos possíveis. 
         Chamamos de “etnocentrismo” a visão de mundo que define a sua própria cultura como modelo e que descreve as demais culturas como incompletas, pouco evoluídas, imaturas ou mesmo indecentes. “Etnocêntrico” é, portanto, um indivíduo ou um modo de pensar que transforma a sua própria etnia no “centro” da experiência humana. Isso pode ser expresso de diversas formas, como pelo simples estranhamento diante de um hábito diferente, pelo preconceito que ridiculariza a outra cultura, pela intolerância quando se entra em contato com as diferenças ou pela xenofobia, isto é, pelo ódio expresso contra o estrangeiro. Visões etnocêntricas justificam atos de violência física e moral que se perpetuaram ao longo da história humana. Uma das formas mais radicais do etnocentrismo é o racismo, pois ele reúne uma visão de mundo e uma prática social a partir do ódio e do extermínio a outra etnia ou cultura. O racismo identifica no diferente, o seu inimigo. Ele quer nos fazer acreditar que a diversidade entre culturas é uma ameaça para a nossa cultura e que, para desenvolver-se, é preciso exterminar ou subjugar o outro.
         No mundo todo, centenas de pessoas e de organizações sociais lutam atualmente para denunciar as práticas de intolerância e as concepções etnocêntricas e racistas. Acordos internacionais foram assinados pela maior parte dos países, criando compromissos para que os Estados e as sociedades tomem medidas eficazes no combate ao racismo e na valorização da diversidade cultural e étnica em todas as regiões do planeta. No entanto, essas práticas são muito recentes na história da humanidade, elas contrariam séculos de intolerância, racismo e destruição da diferença.
         A visão etnocêntrica da Europa sobre o resto do mundo produziu ideias preconceituosas e racistas sobre indígenas e povos africanos durante mais de quatro séculos. A cultura europeia tornou-se, desde a época da conquista da América, no século XVI, o modelo a ser seguido, transformando as sociedades não Ocidentais em povos sem cultura, sem história, sem conhecimentos. Essa visão aparecia nos livros de história, na literatura e até nas pesquisas científicas. O historiador Fernando Novais, em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo em 2000, por ocasião das comemorações de 500 anos da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, aponta para o etnocentrismo presente na concepção de “descobrimento” do Brasil naquela ocasião. Caracterizar a viagem de Cabral como a do “Descobrimento do Brasil” e a carta de Pero Vaz de Caminha como uma “certidão de batismo” tem pressupostos que precisam ser discutidos. Há um etnocentrismo evidente que expressa a visão do conquistador, do vencedor. Os portugueses seriam o agente e os índios, os “descobertos”, os protagonistas passivos do episódio. (Fernando Novais. Folha de São Paulo, 24/04/2000, Primeiro Caderno, p. 6.) De acordo com o que vimos sobre o etnocentrismo e nos argumentos de Fernando Novais expostos acima, explique por que não deveríamos caracterizar a chegada dos portugueses em 1500 como o “descobrimento” do Brasil.
         Baseado nesse pensamento, os europeus justificaram a dominação militar e econômica sobre os outros territórios como se fosse um benefício para os povos dominados. Afinal, os europeus levariam consigo a civilização e, com isso, supostamente trariam benefícios e desenvolvimento para as sociedades africanas ou indígenas. Nesta unidade, vamos estudar algumas sociedades indígenas e africanas, apresentando um pouco de suas histórias e suas formas de ver o mundo. Também vamos analisar de que modo reagiram e se relacionaram com o homem branco ocidental, transformando-se e adaptando-se às novas condições impostas.
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