Edição final: Débora Dulcésil
Qual o seu primeiro pensamento quando você pensa nos nativos da América? Quando crianças aprendemos que eles foram os primeiros habitantes deste longo continente e foram "descobertos" pelos europeus em 1500 quado houve a Expansão Marítima. Os associamos as divindades da natureza e a uma relação harmoniosa atualmente. Entretanto o etnocentrismo ainda persiste.
Ele corre quando nós avaliamos os povos de outra cultura de acordo com o nosso padrão e valores. O antropólogo Everardo Rocha diz que o etnocentrismo “é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo, e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores e modelos.” Identificar isso não é difícil. "Eles vivem no meio do mato." "Não conseguiria viver daquele jeito." "Como é que eles podem viver assim?". São exemplos simples, mas bem taxativos sobre o assunto.
Mas isto não ocorre somente com a população em geral. Os próprios indígenas fazem essa associação. “Tenetehara” (considerados os povos Guajajara e Tembé), por exemplo, significa “nós somos os seres humanos verdadeiros”. Os “parakanã” chamam a si mesmos de “Awaeté”: “gente de verdade”. Os que não fazem parte de sua tribo são chamados de termos pejorativos, dentre eles “macacos”, “ovos de piolho” e “bárbaros”, possivelmente a alcunha mais conhecida para nós. O etnocentrismo é um mal inerente a todas as sociedades humanas.
O povo indígena sempre foi retratado nos livros didáticos a partir de uma visão etnocêntrica. Everardo Rocha diz que a imagem do indígena foi alugada para aparecer na História do Brasil em três papéis diferentes: o primeiro papel é o de “selvagem” e “primitivo”. Ele foi atribuído na chegada dos portugueses cujo se consideravam superiores e civilizados em comparação aos indígenas. O segundo é papel de “alma inocente” e “infantil” que precisava da proteção da religião portuguesa, sendo pretexto para a catequização pelos jesuítas. O último papel é interessante porque já na nossa era o indígena passou a ser valorizado como uma das raças que compõe a identidade do brasileiro. Ora, ninguém quer se identificar com o “selvagem” ou com a “criança”; logo, ao indígena foi cunhado o papel de “corajoso” e “amante da liberdade”. Outra visão do indígena, que não foi mencionada por Rocha, também se espalhou pelos livros didáticos. Com certeza você já deve ter ouvido falar do “bom selvagem”. Este foi um termo emprestado de Jean Jacques Rousseau para ilustrar como o indígena é aquele ser perfeito e puro que vive em harmonia com a natureza.
Termos mais apropriados
Os indígenas são povos de “tradição oral” e “cultura simples”. Aqui a expressão “simples” não tem conotação de inferioridade, mas de simplicidade nas organizações sociais. Diferente dos povos de culturas complexas como a nossa. Caso você esteja interessado, pergunte se eles “mantêm forte sua identidade” cultural ou se já têm contato com a “sociedade envolvente”. Outra pergunta apropriada seria: “de qual etnia você faz parte?”
A linguagem está em constante transformação. É por este motivo que, no português, a palavra “índio” ao longo dos anos deixou de ser uma identificação étnica para tornar-se um termo pejorativo. Hoje em dia o termo mais aceito para se referir a eles é “indígena”. E ainda assim é muito generalizado, pois não podemos ignorar que cada um dos 340 povos indígenas do Brasil tem sua cultura e costumes específicos. Nesse caso já não existem indígenas, mas sim “Tembé”, “Guajajara”, “Kayapó”, “Kanela”.
Texto base: Acesso do site Ultimato no dia 20/08/2016 as 16h59min.
Acesso do site Ebah no dia 20/08/2016 as 17h23min.
Acesso do site Índios Online no dia 21/08/2016 as 13h48min.
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