Matéria por Rayane Ataíde
Edição final por Débora Dulcésil
A intolerância entre povos diferentes, resultado da dificuldade em aceitar o outro com seus
costumes e história, sempre fez parte da história humana. Porém, esta intolerância torna-se
insustentável ao ser reconhecida como racismo, que surge no mundo como uma forma de
garantir dominação política, social, econômica e cultural de um agrupamento étnico sobre o
outro.
No caso da população negra, o racismo surge e ganha força no período mercantilista que,
com o aval da Igreja, transforma a escravidão e o tráfico negreiro em simples conseqüência do
contexto colonial. O argumento de muitos em afirmar que o racismo é uma derivação
automática do capitalismo leva a compreensões equivocadas, fruto da militância política de
esquerda eurocêntrica, que usa este artifício para direcionar o movimento negro na
construção de um programa insuficiente e incapaz de dar conta de toda a complexidade que é
pensar o Brasil no século XXI.
É sabido que a população negra não vive em um universo paralelo, isolada da realidade
nacional, mas está junto da população excluída, vulnerável para sofrer os impactos de um
sistema cujas relações econômicas atingem a todos no país e no mundo. A reação do movimento negro, de muitas vezes levar em conta somente os problemas gerados pelo
racismo – como se a própria fronteira entre racismo e capitalismo fosse algo bem definido, e
não sinuoso e entrelaçado por outras problemáticas – conduz o movimento a um caminho
isolado, cuja direção está longe de ser o fim de todas as formas de opressão e a própria
construção da igualdade entre homens e mulheres, negros e brancos no mundo.
O movimento negro está hoje preso ao círculo vicioso das políticas integracionistas. Uma
mostra disso é o fato de que muitos daqueles que eram potencializadores dos movimentos
populares e de toda uma luta social de massa no Brasil, hoje parecem se afastar e, em alguns
casos, abdicar desse papel.
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