Matéria por: Katarya Tenório
Edição final por: Kataryna Tenório
Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936, é uma interpretação
original da decomposição da sociedade tradicional brasileira e da emergência de novas
estruturas políticas e econômicas. Uma visão inovadora que introduziu os conceitos de
patrimonialismo e burocracia, explicando os novos tempos.
Na obra, Sérgio Buarque buscou na história colonial as origens dos problemas nacionais. Como
veremos adiante, descreveu o brasileiro como um “homem cordial”, isto é, que age pelo
coração e pelo sentimento, preferindo as relações pessoais ao cumprimento de leis objetivas e
imparciais. O Brasil Colônia é visto por Sérgio Buarque como tendo pouca organização social,
daí o recurso freqüente à violência e ao domínio personalista. A escravidão desvalorizou o
trabalho e favoreceu aventureiros que desejavam “prosperidade sem custo” – traços que se
refletiam até no cultivo da terra, por métodos predatórios semelhantes aos da mineração.
É um livro inovador no que diz respeito à busca da identidade nacional. Num momento onde a
psicologia vinha se desenvolvendo muito e a sociologia começava a perder seu caráter
altamente “científico”, Sérgio Buarque foi atrás do que poderíamos chamar de essência do
homem brasileiro. Num jogo de idas e vindas pela nossa história, deixando claro os momentos
que mais considerava, Sérgio Buarque foi construindo um panorama histórico no qual inseriu o
“homem cordial”, que nada mais é do que fruto de nossa história, originada da colonização
portuguesa, de uma estrutura política, econômica e social completamente instável de famílias
patriarcais e escravagistas.
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