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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Influência na formação do Brasil atual: Indígena - Débora Dulcésil e Rayane Ataíde

Matéria feita por Débora Dulcésil e Rayane Ataíde 
Edição Final por Débora Dulcésil
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Torração de farinha: alimento descoberto pelos índios que faz parte de nossa cultura
(Foto: Chang Whan / Divulgação)
     Os povos indígenas foram decisivos para que o Brasil se tornasse um país multicultural. Sua contribuição varia de um conjunto de palavras, objetos, espécies domesticadas e técnicas de manejo do ambiente. A constituição do Brasil como um país multicultural se deve, sobretudo, à presença de centenas de grupos indígenas que habitam seu território e, ainda hoje, são parte constitutiva e atuante da sociedade brasileira. Atores fundamentais no início da colonização, os índios lutaram ao lado dos europeus ajudando a definir os limites do território nacional.
       
Na língua
      No Brasil, existem hoje cerca de 180 línguas indígenas diferentes. Desde o século XVI, o contato entre as línguas nativas e as europeias, sobretudo o português, fomentou processos de transformação linguística por todo o território. Cerca de metade das línguas indígenas existentes na época foi extinta pelo violento processo colonial.
     As principais línguas tupi-guarani faladas pelos habitantes do litoral (o tupinambá e o guarani) foram sistematizadas já no início da colonização. Seu uso por missionários jesuítas não se limitava apenas à comunicação com os indígenas, como comprovam as mais de 30 composições líricas e dramáticas escritas em tupinambá por José de Anchieta. Essa língua era chamada de língua brasílica no século XVII e, nos pontos mais longínquos da administração colonial, era usada como língua corrente entre portugueses e seus descendentes (predominantemente mestiços) e escravos africanos.
     É provável que você conheça alguém chamado Ubiratan ou Jacira. Pode ser também Iracema, Tainá, Cauã ou Jandira. Quem vive ou já visitou o Rio de Janeiro, com certeza ouviu falar em Tijuca, Itaipu, Ipanema, Jacarépaguá, Itapeba, Pavuna e/ou Maracanã. Em São Paulo, quem não conhece Itaim, Itaquaquecetuba, Butantã, Piracicaba, Jacareí e Jundiaí? Não importa onde se viva, qualquer brasileiro já teve contato com uma infinidade de palavras de origem indígena, sobretudo da língua tupi-guarani (união entre as tribos tupinambá e guarani), como carioca, jacaré, jabuti, arara, igarapé, capim, guri, caju, maracujá, abacaxi, canoa, pipoca e pereba.
Alimentação
       Mas não foi só na língua portuguesa que tivemos influência indígena. Sua herança e contribuição para a formação da cultura brasileira vai além: passa da comida à forma como nos curamos de doenças. Os índios, através de sua forte ligação com a floresta, descobriram nela uma variedade de alimentos, como a mandioca (e suas variações como a farinha, o pirão, a tapioca, o beiju e o mingau), o caju e o guaraná, utilizados até hoje em nossa alimentação. Esse conhecimento das populações indígenas em relação às espécies nativas é fruto de milhares de anos de conhecimento da floresta. Lá, eles experimentaram o cultivo de centenas de espécies como o milho, a batata- doce, o cará, o feijão, o tomate, o amendoim, o tabaco, a abóbora, o abacaxi, o mamão, a erva-mate e o guaraná.
        
Na medicinna
       Outro benefício que herdamos da intensa relação dos índios e a floresta é em relação às plantas e ervas medicinais. O conhecimento da flora e das propriedades das plantas os fez utilizá-las nos tratamento de doenças. Por exemplo, a alfavaca que tem função antigripal, diurética e hipotensora, ou o boldo que é digestivo, antitóxico, combate a prisão de ventre e pode ser usado também nas febres intermitentes (que cessam e voltam logo) são descobertas dos índios utilizadas no nosso dia a dia.
       O emprego de elementos vegetais e animais como fonte de cura natural para doenças é largamente utilizado hoje, e chegam a se tornar alvo de pesquisadores estrangeiros e do contrabando biológico internacional.
Apesar disso, os índios perderam o contato com a tradição da medicina natural. “O índio, se fica        doente, vai para o hospital de branco, pois não sabe mais como fazer remédio, e não tem mais contato com o mato”, declara José Luiz Tserite, cacique pajé da aldeia San Felipe, no município de Campinápolis, no Mato Grosso.
Artesanato
        O artesanato também não fica de fora. Bolsas trançadas com fios e fibras, enfeites e ornamentos com penas, sementes e escamas de peixe são utilizados em diversas regiões do país, que sequer têm proximidade com uma aldeia indígena.
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Cerâmica figurativa: artesanato indigena (Foto: Mariana Maia / Divulgação)

        Segundo Chang Whan, pesquisadora e curadora do Museu do Índio do Rio de Janeiro, embora nós tenhamos o costume de separar a cultura indígena da cultura brasileira, essa dissociação não está correta. “A cultura brasileira resulta da conjunção de muitas influências culturais, inclusive temos todas essas contribuições dos índios, com a influência na toponímia (nome dos lugares), na onomástica (nomes próprios), na culinária e no tratamento de saúde utilizando as ervas medicinais. Portanto, não devemos fazer essa dissociação”, explica.

Fonte: Acesso do site Alunos Online no dia 20/08/2016 as 09h48min.
Acesso do site Remexendo o Passado no dia 20/08/2016 as 10h04min.
Acesso do site Ebah no dia 22/08/2016 as 18h37min.
Acesso do site UCG no dia 22/08/2016 as 18h48min.


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