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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

História: Africanos - Débora Dulcésil

Matéria por Débora Dulcésil
Edição Final por Débora Dulcésil

 Os africanos não vieram para a América de livre espontânea vontade, foram trazidos para cá para trabalhar como escravos. Com o avanço das plantações de cana-de-açúcar no Nordeste, na metade do século XVI, os africanos começaram a entrar no Brasil sistematicamente e em maior número.
     Eram povos de diferentes lugares da África, com características físicas e culturais próprias, e trouxeram consigo hábitos, línguas e tradições que marcam profundamente nosso cotidiano. A maioria dos africanos entrados no Brasil saiu da região localizada ao sul do Equador, pelos portos de Benguela, Luanda e Cabinda. Outra parte considerável saiu da Costa da Mina, pelos portos de Lagos, Ajudá e São Jorge da Mina. E um número menor saiu pelos portos de Moçambique. No Brasil os africanos não eram chamados por sua etnia, mas sim pelo nome do porto ou da região onde haviam sido embarcados. Um africano da etnia congo, por exemplo, era chamado aqui de cambinda, se esse fosse o nome do porto africano de onde ele houvesse embarcado. Outro exemplo: os diferentes povos embarcados na Costa da Mina (África Ocidental) eram chamados simplesmente de minas.
    Conseguir pessoas na África para vendê-las na América foi um negócio altamente lucrativo, que durou mais de trezentos anos. Desse negócio participaram europeus, africanos e brasileiros de diferentes condições sociais. Entenda seu funcionamento acompanhando este esquema: 1° passo: Os traficantes forneciam tabaco, aguardente, pólvora e, sobretudo, armas de fogo aos chefes africanos; em troca, exigiam prisioneiros de guerra. 2° passo: De posse dessas armas, os chefes africanos faziam guerras e obtinham prisioneiros. 3° passo: Os prisioneiros eram negociados om os traficantes, que os vendiam na América com escravos. Instalou-se, assim, na África, um verdadeiro círculo vicioso: faziam-se guerras para obter prisioneiros, que eram trocados por armas de fogo e pólvora, usadas em novas guerras. A consequência mais trágica da chegada dos europeus ao continente africano foi justamente o surgimento de um novo tipo de guerra entre os povos locais: a guerra para obter e vender pessoas e traficantes especializados.
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